A moral da história

O que será esta vida, senão um sonho?

“Se nós, sombras, vos ofendemos,
Pensai nos seguintes termos:
O que vos sucedeu foi adormecer,
E essas visões que a vós parecíeis ver
Compuseram o nosso tema, tolo
E à toa, nada mais que um sonho.
Não censureis este nosso tema;
Perdoai-nos e haverá emenda.
No caso de sorte imerecida,
Escapando nós de vaias viperinas,
Como sou um Bute honesto,
Das retificações eu em encarrego.
Não sou Bute mentiroso
E dou boa-noite a todos.
Palmas, se quiserdes bater!
Em troca, vou a peça refazer.”
William Shakespeare (1564-1616)

Este é o trecho final da peça Sonhos de uma Noite de Verão, onde Puck, um espírito da floresta faz seu monólogo final. Talvez devéssemos ser um pouco mais de Puck, que vive o que é, com alegria, pureza e por que não, com muito senso de humor! A vida é assim, um grande jogo. Isso não deve nos desmotivar, mas ao contrário! É a chance de “brincarmos”, de não levarmos tudo tão a sério, para que possamos aprender o que a experiência de jogar nos deixa. É só isso que levamos da vida: as experiências. E nada, absolutamente nada, é descartável. Vivamos assim, intensamente sendo nós: humanos!

“Tudo isso é um grande jogo. Maya, seus brinquedos, os homens e eu, somos os atores. A vida é o cenário. Quando abrirem-se as cortinas, quando se apagarem as luzes, haverá cessado essa forma de representação e se abrirão as portas de um novo mistério. Não estou segura de que Maya também não esteja ali, entre as sombras das cortinas, esperando-nos com novos brinquedos para viver nesse outro mundo.”
Da obra Jogos de Maya, de Délia Steinberg Guzmán

Maya

Ela brinca com os homens
Porém poucos brincam com ela,
Pois olhos todos eles têm,
Mas não enxergam além da janela.

Tudo tem o seu encanto,
Pois nada escapa do seu alcance.
E os tolos pensam, entretanto,
Que de fugir tem alguma chance.

Mas essa é a grande graça,
Sabendo que tudo ela enlaça,
Faz de a vida um jogo ser.

Em sua irrealidade, poder
Encontrar o que é real.
E é isso, da história, a moral.

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Um pensamento sobre “A moral da história

  1. […] participei de uma pequena apresentação de esquetes de Shakespeare. Fizemos alguns trechos de Sonho de uma Noite de Verão, Hamlet e Romeu e Julieta. Eu, como […]

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