Fruto


Alimentar-se da fruta sem desejo,
Tal qual no vazio dar um beijo,
Faz-se do objeto desperdiçado,
Do tempo, o vento, arremessado.

Mas se a fome ao corpo aplacar
E a fruta, a boca devorar,
Do físico fará seu prazer.
Só a carne sua morada há de mover.

Porque é da fruta a fonte de energia,
Que encontra o corpo sua via
Para ser mais que algo apático
E o fluxo da vida faz-se enfático.

Quando então pelo fruto há apreço,
Toma-o por qualquer preço,
Ainda que efêmera seja a razão,
Que, fugaz, não ultrapassa emoção.

Já se pela fruta se é obcecado,
Agora por ela apaixonado
Cujo fim ao egoísmo é emprego,
Mantém-se firme pelo seu apego

Porém quando se ultrapassa o limite
E, em verdade, o coração palpite,
A fé torna-se a guia da razão
E a união ao fruto é uma oração.

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