Deixei atrás os erros do que fui

Deixei atrás os erros do que fui,
Deixei atrás os erros do que quis
E que não pude haver porque a hora flui
E ninguém é exato nem feliz.

Tudo isso como o lixo da viagem
Deixei nas circunstâncias do caminho,
No episódio que fui e na paragem,
No desvio que foi cada vizinho.

Deixei tudo isso, como quem se tapa
Por viajar com uma capa sua,
E a certa altura se desfaz da capa
E atira com a capa para a rua.

Fernando pessoa

Refletindo sobre erros e acertos na vida, cheguei a conclusão que nos vemos demasiado perfeitos, mas se o fôssemos não seríamos humanos. Todos estamos sujeitos a erros, o erro para o ser humano é inevitável. Mas para assumir o erro é preciso coragem. É necessário despir dessa capa podre que se chama vaidade e pelo menos manter a dignidade e mostra-se aos outros pura e simplesmente humano e imperfeito. É olhar-se no espelho e ver suas sombras mais tenebrosas; mas encontrar nos espelhos dos olhos dos demais o seu lado mais bom. É tudo um questão de escolha, que lado você quer ser. Saiba que lá na frente vai errar de novo, mas se há amor, não há obstáculos nem erros que possam parar essa força que é o AMOR, que posso dizer em alto e bom tom: É INVENCÍVEL!

“A verdade contradiz a nossa natureza; o erro não. A razão disso é simples: a verdade impõe-nos o dever de reconhecer a nossa limitação, ao passo que o erro nos lisonjeia dando-nos a entender que, de uma forma ou de outra, não estamos sujeitos a limites. Qualquer pessoa gosta do falso, do absurdo, pois ele opera pela insinuação. Mas não do verdadeiro, do que é sólido, já que este opera pela exclusão. Para os fracos é quase sempre mais cómodo o falso, o erro. O que é verdadeiro estimula. Nada se pode desenvolver com base no erro, porque o erro limita-se a envolver-nos no erro. É muito mais fácil verificar o erro do que encontrar a verdade. O erro está à superfície, e com isso podemos nós bem. A verdade repousa nas profundidades, e não é qualquer um que se pode lançar à investigação nessas regiões.”

Johann Wolfgang von Goethe, in ‘Máximas e Reflexões’

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