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Eu sou o Homem

Eu sou o Homem, de muitos nomes e rostos.
Já habitei tempos outros e hei de ficar disposto
Entre o céu e a terra, neste e em outros mundos.
Minha alma é velha, como um abismo profundo.

Nela habitam todos os homens, dor e plenitude.
E o presente tem, de um sorriso, a inquietude
Tal qual é sagrado, uma fração de divindade.
E tudo que trago justifica minha identidade.

Meus pesares, meus erros, minhas tormentas,
Que em momentos minha alma arrebenta
E faz-me querer por vezes deixar de ser.
Porém a Beleza em tudo há de ter.

Porque a dor é o que me move em busca dela.
Ela só é acalento porque em mim há mazelas.
Ela só é conforto porque em mim há pranto.
Faz surgir o Amor no, do meu peito, recanto.

E já não me sinto só; sinto-me parte de todo
O Universo e não preciso sequer de engodo.
Ainda que tenha uma lança em meu peito
Não tento tirá-la, pois não a rejeito.

Permite-me provar a profundidade de ser.
E, para dessa Graça nunca me abster,
Eu próprio enfiaria uma nova lança,
Não por medo ou destemperança.

Pois sou assim, Glória encarnada.
Não sirvo a mim e busco, para mim, nada.
Sou um humilde servidor da humanidade.
Vim recordá-la de que a Beleza, em realidade,

Pode ser expressa para surgir dentro de si.
Que seus olhos mirem o infinito do sentir
Que há tanto no céu quanto em suas almas.
E por isso minha mão se espalma

Pois sou o Guardião, do que faz a união
Entre o que de invisível alcança a visão.
E disso não me gabo, nem me desmereço,
Não o faço pelo meu apreço.

Sou o que sou e o que hei de ser eternamente
É o que justifica minha existência, meu presente,
Meu respirar, o pulsar do meu coração,
Cada passo que dou, cada letra que escrevo então.

Sonhos? Disso tive a alma absolvida.
Meu sonho é o grande sonho da Vida.
E, para realizá-lo, sou dele cativo.
Sigo assim, obedeço ao meu destino: Vivo.

Uma noite: Francis e Estélio

Estélio: Boa noite senhorita Francis. Está um noite agradável, não acha?

Francis: Como todas as noites meu querido amigo Estélio, mas esta sem dúvidas está com algo especial. Sinto algo diferente, uma atmosfera cálida que me leva a refletir sobre se as noites são sempre as mesmas como eu supus a pouco ou se são meus olhos que estando apenas olhando, não veem o que o senhor em inúmeras vezes parece ver.

Estélio: Oras minha amiga, tenho olhos tão iguais aos seus. Vejo as noites sempre iguais. Nelas o céu parece ser maior que o dia porque como haveriam de caber tantas estrelas se assim não o fosse? E lua é a rainha que brinda o reino da escuridão. Essa é inconstante e muda de tempos em tempos, mas percebeu como nunca deixa de ser bela e majestosa? Sinto-me as vezes envergonhado de tamanha beleza. O belo quando se mostra em excesso nos faz sentir meio que desconfortáveis quando deveria nos fazer venerá-lo.

Francis: Percebes o que digo? Não vês tudo com olhos comuns. Talvez seja porque seus olhos são a única porta através do qual percebe tudo, ache que todos sentem o mesmo. Mas não coloca nada de especial em nada. Parece-me que vês o que há de especial em cada coisa e que não tenho olhos iguais aos seus. E isso me faz por vezes sentir este desconforto do qual fala. Sim, não que não goste de sua companhia, pelo contrário, aprecio-a… Mas queria poder ver o mundo assim como tu vês… É a vergonha senhor Estélio que me faz sentir assim.

Estélio: Vergonha… Mas do que poderia se envergonhar? Se mais nobre dama não conheço. Sempre tão cortês e com um olhar verdadeiramente sincero. Sinceridade faz falta no mundo de hoje. As pessoas falam como se estivessem em cima de um palco atuando e esperando receber aplausos ao final da peça. Não escutam verdadeiramente o que estão a dizer, pois no fundo nada lhe interessam e fingem estar entretidas, como num breve intervalo, esperando um novo espetáculo no qual ela acha protagonizar. E assim, o tempo passa e quando se dão conta, deixaram de aproveitar o mais importante, o de simplesmente assistir a grande peça que é vida, onde no fundo todos somos atores, mas sem dúvida alguma, espectadores. E a senhora é, nisso, ambas .

Francis: Fico feliz que assim me veja, mais uma vez creio ser o seu modo de vê-lo que o deixa assim. A vergonha que falo é de ter medo de ser diferente do que as pessoas esperam que eu seja e atender ao que eles esperam que eu pense, fale, sinta e faça.

Estélio: Mas a senhora acredita que as coisas são como são ou que tudo o é a partir do ponto de vista de alguém? Tudo o que pensamos e achamos é algo que realmente o fazemos ou não veio pré-determinado das percepções de outrem? Não me preocupo em pensar demasiado como as coisas são, mas sim, percebê-las através dos meus olhos, como a senhora falou tão bem… É só o que tenho. E sim, que maravilha isto! Cada um tem sua própria janela através do qual vê tudo e com seu próprio modo de ver. E podemos conversar sobre isso e que infinitas possiblidades existem. Milhares de histórias surgem, com a criatividade própria de cada um.  Como seria entediante se víssemos todos da mesma forma, não acha?

Endymion

esperancaO que é belo há de ser eternamente
Uma alegria, e há de seguir presente.
Não morre; onde quer que a vida breve
Nos leve, há de nos dar um sono leve,
Cheio de sonhos e de calmo alento.
Assim, cabe tecer cada momento
Nessa grinalda que nos entretece
À terra, apesar da pouca messe
De nobres naturezas, das agruras,
Das nossas tristes aflições escuras,
Das duras dores. Sim, ainda que rara,
Alguma forma de beleza aclara
As névoas da alma. O sol e a lua estão
Luzindo e há sempre uma árvore onde vão
Sombrear-se as ovelhas; cravos, cachos
De uvas num mundo verde; riachos
Que refrescam, e o bálsamo da aragem
Que ameniza o calor; musgo, folhagem,
Campos, aromas, flores, grãos, sementes,
E a grandeza do fim que aos imponentes
Mortos pensamos recobrir de glória,
E os contos encantados na memória:
Fonte sem fim dessa imortal bebida
Que vem do céus e alenta a nossa vida.

John Keats (poeta inglês – 1795-I82l)

Endymion (trecho)

Solidão I


Descobri uma amiga desconhecida,
Em minhas entranhas escondida.
Eu, vil, a supus minha inimiga
E a quis afastar de minha vida.

Não enxergava que a sua amizade,
Com pura e real lealdade,
Oferecida aos autênticos artistas
Faz-lhes honrados pela sua visita.

Através dela, encontro a mim mesma,
Permite-me contemplar a Beleza
E mergulhar em mim e fazer do meu tormento
A semente que dá vida a um monumento.

E me faz capaz de descobrir
O que mais de Belo pode existir.
Estende-me a mão e faz-me elevar
Ao que é meu verdadeiro lugar.

Pobre sou, se não aceito com nobreza
Sua companhia, digna da realeza.
Minha querida e amada solidão
Que ninguém a tire do meu coração.

Ilusão

“Estrelas que luzis na abóbada infinita,
Inquietamente, assim, como um olhar que fascina,
Vendo-vos palpitar, meu coração palpita,
Mordido de paixão por essa luz divina…

Largos céos ideaes, região díamantina,
Mirifico esplendor, ó perola exquisita,
Quanta cubiça vã, que nunca se imagina,
Quanto furor emfim o animo me excita !

É o impossível, pois, que eu amo unicamente,
A nevoa que fugiu, a fórma evanescente,
A sombra que se foi tal qual uma visão…

E por isso tambem, por isso é que eu supponho
Que a vida, em suma, é um grande e extravagante Sonho,
E a Beleza não é mais do que uma Ilusão!”

Emiliano Perneta – Poeta Curitibano

Por que a beleza importa?

A Arte é a expressão da Beleza. Um artista é aquele, então, que não possui apenas a função de exprimir o Belo. É algo mais profundo, é o seu Destino. É um dever, mas não como o peso que esta palavra representa atualmente. É um dever como uma espécie de motor interno, que unindo à sua inclinação natural, o obriga a fazer o que deve fazer. Ele é tocado pela loucura divina. Uma obra interessante que trata desse assunto é Fedro de Platão:

“(…) os maiores benefícios nos são transmitidos através da loucura, quando são enviados como uma dádiva dos deuses. (…) E a propósito vale a pena registrar o fato de que homens do passado que conceberam nossa linguagem não pensavam que a loucura fosse criminosa ou ignominiosa; se assim fosse, não teriam associado a própria palavra mania (mania [loucura]) à mais nobre das artes, a que prediz o futuro, chamando-a de mânica.
(…)

Quanto àquele que é corretamente possuído pela loucura, é encontrado um alívio dos males do presente. Um terceiro tipo de posse provém das Musas, o qual se apodera de uma alma terna e inviolável, desperta-a para um frenesi dionisíaco de cantos e outras poesias que glorifica os feitos do passado, e através destes educa as novas gerações. Aquele, todavia, que, sem possuir a loucura, alcança as portas das Musas, na expectativa de ser um bom poeta adquirindo conhecimento da arte, frustra-se, a poesia do homem de senso sendo totalmente eclipsada pela do louco.
(…) A conclusão é que não devemos alimentar medo no que se refere a esse aspecto e que ninguém não nos perturbe nem assuste declarando que o amigo que está em perfeito juízo deve ser preferido ao que experimenta um frenesi.”

Essa obra atemporal trata do Amor. Mas que relação tem o Amor com a Arte? Citando, parte do discurso de Sócrates, em Fedro:

“Aquele, entretanto, que foi recentemente iniciado, alguém que contemplou muita de tais realidades, ao ver um rosto de semelhança divina ou uma forma corpórea que constitui uma boa imagem da beleza, principia por estremecer, algo como o velho pavor que sentia antes dele se apoderando; então, a medida que contempla, passa a reverenciar aquele que é belo como um deus, e se não recear ser julgado completamente louco, oferece sacrifícios ao favorito como se o fizesse a um ídolo ou a um deus. E enquanto o contempleta, uma reação ao seu [anterior] estremecimento dele se apossa, acompanhada de suor e calor incomum, pois a medida que o fluxo de beleza o penetra através de seus olhos, ele é aquecido (…)
Ora, a alma inteira durante esse processo pulsa e palpita.”

E o que é a Beleza e porque ela tem um papel tão importante em nossas vidas? Esta pergunta é magistralmente respondida pelo historiador Roger Scruton, no melhor documentário que já tive oportunidade de assistir: Why Beauty Matters?

Nele, Roger Scruton, faz a relação da Beleza com o Amor Platônico. E não pensem nessa concepção vulgar que essa expressão hoje tem, como o amor não correspondido e fantasioso. Mas da concepção do mais puro e verdadeiro Amor que Platão deixou neste curto, mas profundo diálogo. Entender a Beleza e o Amor são de extremas importâncias nossas vidas. Agora, mais que entender, se faz necessário viver profundamente o que são esses dois grandes alimentos de nossas almas.

Beleza

E lá se vai… Ah tempo voraz
Ainda a sentir o perfume doce
Sorrateiro vento, que a trouxe
E nas lembranças a vida se faz.

Fica o vazio, após haver cheio.
Oh, inexorável lei da natureza!
Ao arrancar a flor por sua realeza,
em vã tentativa, me enleio.

Senhora misteriosa da imensidão!
Limites não abarcam sua bondade,
Vão além do infinito das estrelas.

Abro os olhos, anseio a paixão
O calor de viver, a humanidade
A beleza é não poder contê-las.

Importância

Copyright © Carlos Eduardo

O que importa o que escrevo?
Não me importa viver nem ao menos morrer,
Pois não escrevo para lerem-me
Nem para eu mesma me compreender.
Escrevo só para ti minha amada.
Se minha poesia é bela ou ritmada?
Se há sentido em viver ou saber?
Este amor já é tudo para mim.
Quando sozinha à noite tu me tomas,
Ah! Nada mais importa… Meu corpo, meus pés
Minhas mãos ou braços…
Não me importa a dor ou a alegria,
Sinto a plenitude, sinto só a ti!
É para ti que escrevo minha Deusa
E nem precisaria colocar em palavras
Porque tu sabes o que há em meu peito.
Nunca me deixes, ainda que eu seja indigna
De tão majestade e altura que tu tens.
És o sentido de eu existir.
Nem respirar preciso, meu ar és tu!
Poesia é tu! Tu és a rima perfeita,
Tu és os versos que nunca hei de escrever.
Porque nunca existirá quem colocará
Em versos uma ínfima parte de ti.
Que eles compreendam-me não me importa,
Se aplaudem ou zombem do que escrevo.
Nada disso tem mais valor
Que o êxtase que teu amor me dá.
Eu vejo-a minha Senhora.
Tu és para mim o Universo, minha santa.
Só escrevo porque tu mandas
E sou seu fiel servidor.
É para que não me abandones caso desobedeça
O que tu pedes que eu seja.
Poeta, homem, mulher, sou o que tu quiseres.
Não há o que peças que não o faças.
Só uma coisa eu suplico
Não me peças que deixe de amar-te.
Porque isso não o posso fazer,
Pois assim deixaria de existir,
O seu amor é a substância do que sou feita.
Não vim aqui enumerar suas virtudes
Nem tentar decifrar quem tu és
Porque não me importo em dizê-lo
Eu simplesmente o sei.
Sinto em cada parte que me compõe.
Saber, entender? Isto não vale de nada!
Não trocaria todo o saber por isto,
Por este amor que me toma
E prende-me por completa.
Isto é que é o Amor!
E também não vou defini-lo.
Vou simplesmente senti-lo
Até quando permitas que assim o faça.
Todo o Universo não me importa,
Só me importa uma única coisa:
Tê-la sempre e nunca abandoná-la.
Isso é infinito, porque o tempo
É estreito para o meu amor.
Em que dimensão tu habitas?
Que quando tu me visitas sinto-me no céu.
Sinto em um único instante tudo!
E não me pergunto quando, como, de onde…
Não me importa o tempo ou o espaço
Nada existe, só tu existes.
Tu és a única, tu és a mais pura,
Tu és a Verdade, a Beleza.
Tudo ademais é falso.
Quando vejo a ti, sim, a vejo,
Tu és a perfeição, tu és completa.
E ser teu amante é só o que sou.
O que mais me importa ser senão isso?

Palavras

Copyright © Carlos Eduardo

Minhas palavras podem não ser rebuscadas,
Longe de alcançarem sua Beleza,
São sombra da sombra de sua grandeza.

Mas uma coisa eu posso garantir:
Dou-lhes a minha dignidade,
Pois guardam todo o meu sentir
E entrego-me lhes com toda a verdade.

Porque os poetas têm a coragem
De todas as feridas mostrarem
Por amor à humanidade.

E, por tamanha generosidade,
São presenteados por sua benevolência
Para aliviar, de serem poetas, a pena.

E se…

Copyright © Carlos Eduardo

E se eu tivesse os braços de um gigante
Com o tamanho capaz de abraçar o mundo?
E se a vida for um ir e vir constante,
Com o sentido muito mais profundo?

Acredite, estar vivo faz a vida valer a pena.
Acredite, foi nos dada na forma de uma senda.

E se a graça não for esperar ansiosamente o término,
Mas sim cada desafio que surge na caminhada?
E se viver pelas coisas não for o fim ultérrimo,
Mas sim lado a lado ao companheiro da jornada?

Busque vitórias alcançadas em pequenas ações.
Busque o amor latente em nossos corações.

E se tudo o que acreditamos é o contrário,
Que nos fizeram tomar como a pura verdade?
E se estivermos vivendo como escravos,
Que nos esquecemos o que somos na realidade?
Viva, se mulher, como dama, se homem, como cavalheiro.
Viva harmonizado suas partes, resultando inteiro.
E se a evidente dualidade do álamo
Trouxer oculta em si o grande Mistério?
E se a força presente em um só átomo
Trouxer oculta a lei que rege o Universo?

Busque, sonhe, levante e deixe sua alma voar.
Busque, encontre no mundo o seu verdadeiro lugar.

Porque não há o grande ou pequeno no mundo ideal.
Porque existir é nosso compromisso, nosso dever.
Porque não sermos Deuses, não implica em ser animal.
Porque nem muito, nem pouco; humanos devemos ser.

Tornamo-nos heróis quando encontramos essa fortaleza
Como a simples flor que, em si, manifesta a Beleza.
É a magia da vida quando se expressa a Verdade.
É a mão de Deus em todas as coisas, o tocar da divindade.

Rio da Sabedoria

Copyright © Carlos Eduardo

Houve um tempo, nos conta uma antiga tradição,
Que entre o céu e os homens existia uma relação.
O homem dominou com força tudo de externo,
Mas esqueceu de ouvir e cultivar o seu interno.
Acima dos Deuses, proclamou seu individualismo,
Passando a venerar e lançar louvores ao egoísmo.

Assim o elo com o divino foi rompido e profanado
E o homem, na escuridão, ficou desamparado.
Pois o Sol retirou-se em seu último pouso
E as águias levantaram suas asas e alçaram vôo.
O vento soprou forte e lamparinas foram apagadas.
A Justiça, a Bondade e a Beleza tornaram-se veladas.

Porém, alguns se voltaram para o céu bravamente
E suplicaram para que o Sol voltasse a nascer novamente.
Os céus escutaram o apelo e, com nobre piedade,
Verteram lágrimas para limpar a escuridão da humanidade.

O rio da sabedoria que havia secado voltou a jorrar
E alguns, que o viram nascer, de suas águas foram tomar.
As áridas terras da ignorância foram inundadas
E as sementes da Primavera, novamente cultivadas.
Nasceram as flores exalando o perfume da candura
Que só pode ser sentido pelos poros de uma alma pura.

E para que esse elo não fosse mais uma vez perdido,
Homens viveram como um exemplo a ser seguido.
E, por isso, Leonardo da Vinci a Beleza plasmou.
E, por isso, Shakespeare ao Amor declamou.
E, por isso, Beethoven expressou o som da divindade.
E, por isso, Platão, com maestria, revelou a Verdade.
E por isso, Giordano, bravamente, nas masmorras padeceu.
E por isso, Sócrates, em nome da Filosofia, a cicuta bebeu.

Pois, apesar de nossa pequenez, heróis podemos ser.
É sonhar em ser grande, é ter um Ideal pelo qual viver.
Pois, por mais difícil e dura que a vida pareça,
Devemos ter a certeza de que, logo que amanheça,
O sol surgirá forte e brilhante após a tormenta.
O rio da sabedoria jamais seca para a alma sedenta.