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Minha senhora

“Há medo em voar, a cantar e a sentir como você, porque tudo isso equivaleria a viver com a alma limpa, aberta e desnuda. Por isso, hoje desnudam-se os corpos e combrem-se-lhes as almas de sujos farrapos… Por isso, a poesia está morta (…) Porém, eu a tenho visto e sei que existe…” Délia Steiberg Gúzman

Erato e sua lira

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.

Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

William Shakespeare

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Hamlet

Para essa história não há invenções,
Narrarei os fatos tal como são.
Esteja preparado para o que vier,
Ouvidos abertos para o que eu vos disser.

Um jovem desolado, de alma nobre,
Vítima da traição de ganancioso torpe
Que seu pai assassinou para rei ser
E sua mãe, em seu incestuoso leito, ter.

Do príncipe, a aflição virou angústia
E ao anseio de vingança uniu-se a sua astúcia.
Fez o criminoso sentir-se ameaçado,
Realizando o plano genial que havia traçado.

Não tinha ele, que as amarras do destino
Geraria sobre os fatos desenrolados, o tino.
Sangue escorreu de suas justas mãos
E nada mais estava sob controle então.

Intrigas e suspeitas lhe foram acometidas
Pois sua nobre alma não era entendida.
Sobre ele lançaram infiéis armadilhas
Que ao final enlaçaram quem as acolhia.

“Há mais mistérios entre o céu e a terra
Do que supõe nossa vã filosofia”
E se isso a ti também angustia
A alma do príncipe em ti se encerra.

Rio da Sabedoria

Copyright © Carlos Eduardo

Houve um tempo, nos conta uma antiga tradição,
Que entre o céu e os homens existia uma relação.
O homem dominou com força tudo de externo,
Mas esqueceu de ouvir e cultivar o seu interno.
Acima dos Deuses, proclamou seu individualismo,
Passando a venerar e lançar louvores ao egoísmo.

Assim o elo com o divino foi rompido e profanado
E o homem, na escuridão, ficou desamparado.
Pois o Sol retirou-se em seu último pouso
E as águias levantaram suas asas e alçaram vôo.
O vento soprou forte e lamparinas foram apagadas.
A Justiça, a Bondade e a Beleza tornaram-se veladas.

Porém, alguns se voltaram para o céu bravamente
E suplicaram para que o Sol voltasse a nascer novamente.
Os céus escutaram o apelo e, com nobre piedade,
Verteram lágrimas para limpar a escuridão da humanidade.

O rio da sabedoria que havia secado voltou a jorrar
E alguns, que o viram nascer, de suas águas foram tomar.
As áridas terras da ignorância foram inundadas
E as sementes da Primavera, novamente cultivadas.
Nasceram as flores exalando o perfume da candura
Que só pode ser sentido pelos poros de uma alma pura.

E para que esse elo não fosse mais uma vez perdido,
Homens viveram como um exemplo a ser seguido.
E, por isso, Leonardo da Vinci a Beleza plasmou.
E, por isso, Shakespeare ao Amor declamou.
E, por isso, Beethoven expressou o som da divindade.
E, por isso, Platão, com maestria, revelou a Verdade.
E por isso, Giordano, bravamente, nas masmorras padeceu.
E por isso, Sócrates, em nome da Filosofia, a cicuta bebeu.

Pois, apesar de nossa pequenez, heróis podemos ser.
É sonhar em ser grande, é ter um Ideal pelo qual viver.
Pois, por mais difícil e dura que a vida pareça,
Devemos ter a certeza de que, logo que amanheça,
O sol surgirá forte e brilhante após a tormenta.
O rio da sabedoria jamais seca para a alma sedenta.

Sonho de uma Noite de Verão

Neste último final de semana, participei de uma pequena apresentação de esquetes de Shakespeare. Fizemos alguns trechos de Sonho de uma Noite de Verão, Hamlet e Romeu e Julieta.

Eu, como Puck

Sonho de uma Noite de Verão

Preparem-se para uma noite de sonhos,
Mas de olhos bem abertos eu proponho.
Nesta comédia tudo pode acontecer
Quando uma confusão eu irei cometer.

O jovem Lisandro é por Hérmia enamorado
E, da linda Hérmia, é ele, o seu amado.
Mas como as causas do coração
Obedecem aos destemperos da razão,

Demétrio também quer Hérmia para si.
Coitada, Helena ama Demétrio, mas ele dela ri.
Porém o pai de Hérmia, Egeu
Não quer que Lisandro seja genro seu.

E sim, Demétrio, o qual ela não ama.
Então, eles fazem uma trama.
A noite se encontram na floresta para fugir
Demétrio vai atrás dos amantes para impedir

E Helena, coitada, com a esperança de ser amada.
Meu Mestre, Oberon, o Rei das Fadas
Pede que eu, Puck, use a magia de uma flor
Para despertar em Demétrio o Amor

E me pede pra procurar um anteniense
Mas eu erro os olhos por acidente
E em Lisandro é que ocorre o encanto
Ah, o resto, é uma confusão de causar espanto.
(Keilla Menezes)

“Pela floresta andei e andei e andei e
Sinto dizer, nenhum ateniense encontrei
Nos olhos de quem pudesse pingar
Esta flor com poder de fazer amar
É noite, e é silêncio – quem está cá?
Roupas de ateniense está ele a trajar.
Esse é ele, como meu mestre disse,
O que desprezou a bela virgem;
E, aqui, em sono profundo, a donzela.
Num montinho úmido e sujo de terra.
Bonita alma, ela não se atreve a deitar.
Com esse grosseirão que não sabe amar.
Seu bruto, em teus olhos agora pingo
Toda a força que trago neste feitiço.
Quando acordares, perderás o sono:
Por causa do amor, não pregarás o olho.
Acorda, criatura, quando eu me for;
devo agora voltar ao meu senhor.”

(William Shakespeare – Sonho de uma Noite de Verão – Ato II, Cena I)

Puck vê Lisandro

Puck vê Hérmia

Puck faz o feitiço em Lisandro

Julieta

“É só teu nome que é meu inimigo. Mas tu és tu mesmo, não um Montéquio. E o que é um Montéquio? Não é mão, nem pé, nem braço, nem rosto, nem qualquer outra parte pertencente a um homem. Ah, sê outro nome! O que há em um nome? Aquilo a que chamamos rosa, teria o mesmo e doce perfume sob qualquer outra designação.”

Romeu e Julieta


“Com as asas leves do amor superei esses muros, pois nem mesmo barreiras de pedra podem impedir a entrada do amor. E aquilo que o amor pode fazer é exatamente o que o amor ousa tentar.”

“Oh, abençoada, abençoada noite! Temo, por ser noite, que tudo não passe de um sonho, sonho tão doce e lisonjeiro que não seria substancial.”
(William Shakespeare – Romeu e Julieta – Ato II, Cena II)

Fotos de Rafel Viana

Doce música, por que a ouves tão triste?

És música e a música ouves triste? 
Doçura atrai doçura e alegria: 
porque amas o que a teu prazer resiste, 
ou tens prazer só na melancolia? 
se a concórdia dos sons bem afinados, 
por casados, ofende o teu ouvido, 
são-te branda censura, em ti calcados, 
porque de ti deviam ter nascido. 
Vê que uma corda a outra casa bem 
e ambas se fazem mútuo ordenamento, 
como marido e filho e feliz mãe 
que, todos num, cantam de encantamento: 
    É canção sem palavras, vária e em 
    uníssono: “só não serás ninguém”. 

Soneto 8, de William Shakespeare

Neste mês fiz o bolo de chá de bebê da Letícia, adotada pela minha amiga Patrícia Muller. Uma parte da imensa doçura de Letícia ficou em seu singelo bolo.

A massa foi pão-de-ló que aprendi no livro Técnicas de Confeitaria Profissional, da editora Senac. Indico esse livro para os amantes da arte Confeitaria.

Quem deseja realmente tornar-se um bom confeiteiro deve aprender as técnicas básica e clássicas e, a partir daí, começar a cria suas próprias receitas. Livros de receitas são interessantes para dar idéias, mas é preciso técnica para criar algo além de saboroso, estético, que junto a um senso apurado e um refinamento, obtendo uma verdadeira obra de arte gastronômica.

Para o recheio fiz uma calda de frutas vermelhas com amora e morangos. No post ensino como fazer. Misturei com um pouco de glacê e cream cheese e ficou sensacional!

Frutas e açucar

Cozinhando a chimia

Resultado Final

Para levar pro chá, fiz cupcakes pink com cobertura de glacê :)

A moral da história

O que será esta vida, senão um sonho?

“Se nós, sombras, vos ofendemos,
Pensai nos seguintes termos:
O que vos sucedeu foi adormecer,
E essas visões que a vós parecíeis ver
Compuseram o nosso tema, tolo
E à toa, nada mais que um sonho.
Não censureis este nosso tema;
Perdoai-nos e haverá emenda.
No caso de sorte imerecida,
Escapando nós de vaias viperinas,
Como sou um Bute honesto,
Das retificações eu em encarrego.
Não sou Bute mentiroso
E dou boa-noite a todos.
Palmas, se quiserdes bater!
Em troca, vou a peça refazer.”
William Shakespeare (1564-1616)

Este é o trecho final da peça Sonhos de uma Noite de Verão, onde Puck, um espírito da floresta faz seu monólogo final. Talvez devéssemos ser um pouco mais de Puck, que vive o que é, com alegria, pureza e por que não, com muito senso de humor! A vida é assim, um grande jogo. Isso não deve nos desmotivar, mas ao contrário! É a chance de “brincarmos”, de não levarmos tudo tão a sério, para que possamos aprender o que a experiência de jogar nos deixa. É só isso que levamos da vida: as experiências. E nada, absolutamente nada, é descartável. Vivamos assim, intensamente sendo nós: humanos!

“Tudo isso é um grande jogo. Maya, seus brinquedos, os homens e eu, somos os atores. A vida é o cenário. Quando abrirem-se as cortinas, quando se apagarem as luzes, haverá cessado essa forma de representação e se abrirão as portas de um novo mistério. Não estou segura de que Maya também não esteja ali, entre as sombras das cortinas, esperando-nos com novos brinquedos para viver nesse outro mundo.”
Da obra Jogos de Maya, de Délia Steinberg Guzmán

Maya

Ela brinca com os homens
Porém poucos brincam com ela,
Pois olhos todos eles têm,
Mas não enxergam além da janela.

Tudo tem o seu encanto,
Pois nada escapa do seu alcance.
E os tolos pensam, entretanto,
Que de fugir tem alguma chance.

Mas essa é a grande graça,
Sabendo que tudo ela enlaça,
Faz de a vida um jogo ser.

Em sua irrealidade, poder
Encontrar o que é real.
E é isso, da história, a moral.