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Cinzas

cinzas

Esse é motivo do fim do meu canto:

Coração vazio não preenche papel.

Esbarrando meu corpo em mãos frias,

Enchendo copos em noites perdidas,

Contando sobre como foi meu dia

Quando queria era falar de poesia,

Encontrar o que arranque essa paz

Que esconde meu impulso audaz.

É um insulto a minha alma a calma

Que de medo demais a espalma.

Hora de tomar o isqueiro na mão,

Parar inflamar um pedaço de mim.

Sopro as cinzas e surge enfim

Uma chama nesse apagado coração.

 

O rio que trafego…

rio
Oh minha doce amada,
Leve-me já deste mundo!
Que esta vida armagurada
É como um poço sem fundo.

Podem pisotear meu coração
Mas nunca hão de extirpar
O Amor que ponho em sua mão.
O mal não o pode alcançar.

E se choro, não lamento.
E se dói, não me entrego.
E se traem, não arrebento.

Que o rio em que trafego
Nasce da mais nobre pureza
E desagua na sua Beleza.

Ilusão

“Estrelas que luzis na abóbada infinita,
Inquietamente, assim, como um olhar que fascina,
Vendo-vos palpitar, meu coração palpita,
Mordido de paixão por essa luz divina…

Largos céos ideaes, região díamantina,
Mirifico esplendor, ó perola exquisita,
Quanta cubiça vã, que nunca se imagina,
Quanto furor emfim o animo me excita !

É o impossível, pois, que eu amo unicamente,
A nevoa que fugiu, a fórma evanescente,
A sombra que se foi tal qual uma visão…

E por isso tambem, por isso é que eu supponho
Que a vida, em suma, é um grande e extravagante Sonho,
E a Beleza não é mais do que uma Ilusão!”

Emiliano Perneta – Poeta Curitibano

Jóia

Copyright © Carlos Eduardo


Se tu o teu amor me renegar,
Não haverá mais sentido em viver.
Como posso continuar a respirar,
Se teu coração eu não pude ter?

Ah, minha doce amada,
Deixa-me ao menos te venerar
Para não ter a vida acabada
E para sempre no inferno vagar.

Pois meu céu é a sua face,
És a luz do Sol que me transpassa
E a noite que a mim devassa
Quando com tuas estrelas me apetece.

Não tenho riquezas pra te oferecer.
Tu és a maior jóia que posso ter.

Palavras

Copyright © Carlos Eduardo

Minhas palavras podem não ser rebuscadas,
Longe de alcançarem sua Beleza,
São sombra da sombra de sua grandeza.

Mas uma coisa eu posso garantir:
Dou-lhes a minha dignidade,
Pois guardam todo o meu sentir
E entrego-me lhes com toda a verdade.

Porque os poetas têm a coragem
De todas as feridas mostrarem
Por amor à humanidade.

E, por tamanha generosidade,
São presenteados por sua benevolência
Para aliviar, de serem poetas, a pena.

Liberdade

Copyright © Carlos Eduardo

Se de mim a caneta tomarem
E minhas mãos amarrarem,
Cantarei aos ventos meus versos,
Ecoarão por todo o Universo.

Eu não escrevo por minha vontade,
Trago em minha a alma a necessidade
De revelar ao mundo o Amor
Que ela transmite pela minha dor.

E se minha língua for arrancada
Nem assim ficarei estancada:
Dançarei até o meu corpo desfalecer
E minha alma livre ser.

Não a prendem corrente nem prisão
Só o amor é minha escravidão.

Retrato

Copyright © João Paulo Canário

Quem a pintou tão bela,
Que fez tomar a mim o ciúme?
Aos olhos, tua face deve ser imune.
Que nenhum homem ponha vista nela.

Ah, meu profundo amor…
Este rude mundo a ti profana,
A ti não dando altar de santa.
E ante ti lança seu olhar farejador.

Rudes e torpes! Não hão de alcançar
Toda a Beleza que tu resguarda.
Sua dignidade não romperão por nada.

Por mim, juro meu sangue entregar,
Pois sou de ti o amante mais fiel
E só por ti escreve meu pincel.

Valor

Ganhei uma alfajor da minha querida irmã Kênia, da viagem que ela fez recentemente pra Argentina. Hoje abri um deles pra experimentar! O recheio de doce de leite é muito macio, delicioso… Ela me deu outros mimos gastronômicos, em breve posto mais!

Devemos valorizar as pessoas que amamos. As pessoas normalmente economizam, se poupam em demonstrar o carinho que sentem. O Amor é a única coisa que quanto mais se dá, mais se tem!

Valor

Se alguém nos é valoroso,
E se o é verdadeiramente,
É nosso dever ser generoso,
De entregar-nos inteiramente.

Porque o tempo que doamos
É o que mostra a veracidade
Da importância que damos,
Para com ele, à sua amizade.

O Amor exige total entrega.
Não se há de amar pela metade
Nem o atinge na superficialidade.

E, frente a isto, o covarde alega
Ter seu coração dilacerado.
Mantêm-no intacto, porém esvaziado.

Máscara

Copyright © Walter Ney

Nesta vida somos atores,
Estando sempre a fingir,
Com os lábios a sorrir
Para ocultar as nossas dores.

Que a alegria é tão fugaz
Como a fumaça dissipada
Que em pouco tempo se acaba
E faz da tristeza mais voraz.

E vivemos feito loucos
A contentar-nos com tão pouco.
E alguns afirmam ser felizes
Mas nem acreditam no que dizem.

Porque, quando a sós, se deparam
Com o que de real esconde a máscara.

Despedida

http://walterneyfotos.blogspot.com.br/

Copyright © Walter Ney

E chegou o momento de partir,
Preciso deixá-la ir.
Tu, que foi para mim uma guia,
Minha luz na noite sombria.

Exigiste-me por inteira.
Não haveria outra maneira
De fazer-me liberta
Do véu que o sol encoberta.

Mas agora preciso, sozinha,
Descobrir a alma minha
E não ser de ti vassala,

Não mais ser minha bengala.
Digo adeus ao condutor
Do trem da minha dor.